Fraco nada

Não era pra ser colorido
e sabíamos! sim, sabíamos!
doutra cor que não o vinho
sabíamos! claro que sim
Contudo, esqueceu-se
e verteu o cuspe
pegou no pé
– ah! dane-se – disse-me
E eu me incomodei
e com razão, ora!
por que não?
não cuspira em mim
mas não acertara o chão
sujou-se
Largou o lugar
trajou-se de mar
e afogou-se
Vinho aqui é sangue, saiba
cuspe que era brinquedo, é mágoa
que, nesse traje de mar, deságua
triste fim de policarpo? que nada
nem li
Teve-se ébrio em loucura
da qual eu também bebi
sofreu o sol o mal o mel
o doce o azedo e o fel
do deus do século aqui
e manteve-se
quando eu saí
Disse de si fraco demais
mas, depois, percebi
Fraco sou eu
pobre sou eu
que não resisti
e, por fim, tornei a sorrir
Pois assim que decidiu-se por viver
seja a dor a loucura ou a morte
ainda que chore a fraqueza
ainda que reclame do mal
ainda que olhe sem vida
é esquecido do dia final
e não crê em merda alguma do que diz
Do contrário,
achasse mesmo tão fraquinho e infeliz
desistia de se arrastar e chorava ao alto
descansando no que sabe que diz:
meu fardo é leve
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